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26/03/2009 10:12h

MEC quer criar vestibular unificado para as federais

O ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou nesta quarta-feira (25) um projeto para unificar os vestibulares das universidades federais. A idéia é criar um novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que funcionaria como forma de seleção para essas instituições.

A proposta formal será entregue na próxima segunda-feira (30) à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para que seja discutida nas universidades. O ministro espera que o novo vestibular possa ser aplicado ainda esse ano, para ingresso dos alunos em 2010.

"Esse assunto é discutido há décadas e nós estamos maduros o suficiente para dar um passo adiante e rever os nossos processos seletivos que hoje padecem de problemas graves. Eles sinalizam mal como deveria ser o currículo do ensino médio", defendeu Haddad.

Outro ponto positivo da proposta, segundo Haddad, é o fato de que o aluno não precisaria fazer vários vestibulares, mas apenas um que teria validade nacional.

Haddad citou que modelo semelhante é aplicado nos Estados Unidos com a SAT (Scholastic Assessment Test), uma prova única que serve como ingresso para todas as instituições.

A adesão ao vestibular nacional dependerá de cada universidade, que tem autonomia para decidir de que forma poderá incorporar a prova em seu processo seletivo. O modelo do exame ainda será discutido com as instituições. Mas, segundo ministro, a idéia é que seja um meio-termo entre o Enem e o vestibular atual.

"Nós queremos um exame que corrija as distorções do vestibular e do Enem. A forma do Enem perguntar é muito interessante, mas ele carece de conteúdos organizativos do ensino médio. O vestibular é fortemente conteudista, mas na maneira de perguntar distorce a realidade do ensino médio. Nós queremos ter um exame nacional que dê conta do conteúdo, mas de forma inteligente, que julgue a capacidade analítica dos estudantes e promova uma mudança na atuação em sala de aula do professor", comparou.

Haddad ressaltou que o ministério tem capacidade técnica e logística para elaborar e aplicar o exame em todo país. Segundo Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que é responsável pela elaboração do Enem, a prova seria dividida em quatro eixos: linguagens e códigos, matemática, ciências naturais e ciências humanas.

As questões seriam de múltipla escolha e a prova contaria também com uma redação. As instituições particulares também poderiam aderir ao novo Enem em substituição ao vestibular.

O presidente da Andifes, Amaro Lins, disse que "não vê objeção" à proposta, mas ressaltou que ela precisa ser discutida dentro das universidade e com a própria sociedade.

Uma reunião com todos os reitores das instituições federais de ensino deverá ser realiza em 15 dias. Segundo Amaro, ainda é preciso "refletir e avaliar".

"Acho que cabe ao ministério apresentar essas propostas e todo o esforço que pudermos fazer de qualificação dos alunos que terão acesso ao ensino superior, nós faremos", apontou.

O MEC acredita que o novo Enem poderá substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) que é aplicado aos alunos ingressantes do ensino superior, além do Exame Nacional para Certificação de Jovens e Adultos (Encceja).

"O que nós podemos fazer é racionalizar e oferecer um instrumento novo e eficiente, tanto do ponto de vista da previsão do desempenho acadêmico dos ingressantes, como da organização curricular do ensino médio", defendeu Haddad.


Criação de vestibular unificado seria mudança positiva para estudantes, avalia UNE


A criação de um nova forma de ingresso e a extinção do atual modelo de vestibular nas universidades federais é uma reivindicação antiga do movimento estudantil. A presidente a União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, considerada positiva a proposta de um vestibular unificado apresentada hoje (25) pelo Ministério da Educação (MEC) e acredita que o novo modelo facilitaria a vida dos vestibulandos.

"Há muito tempo nós defendemos o fim do vestibular e a busca de um novo sistema de ingresso nas instituições federais. O vestibular é um sistema que perpetua a desigualdade. Pela sua característica conteudista, ele acaba valorizando quem teve condições de pagar um cursinho pré-vestibular", disse.

O estudante Felipe Carvalho, que cursa o 3° ano em uma escola particular de Brasília, acredita que a proposta tem pontos positivos e negativos. O ganho para o estudante, segundo ele, seria concentrar o estudo em um conteúdo único.


"Mas a quantidade de conteúdos cobrados de um estado para outro é totalmente diferente. Antes de se pensar um vestibular unificado seria preciso unificar o ensino para todos aprenderem a mesma coisa", afirmou.


Já Rafaela Albo, aluna do mesmo colégio, acha que o vestibular unificado facilitaria a vida daqueles estudantes que tentam vagas em várias universidades federais. "Você não precisaria sair de Brasília para fazer vestibulares em outros estados", avalia.

Alguns estudantes temem que uma prova unificada possa reduzir as oportunidades de aprovação. "Ia ser difícil porque a gente ia ter menos chances de passar. Se você for mal naquela prova, não poderia tentar em outra faculdade, [porque uma nova chance] só no ano seguinte mesmo", disse a estudante Raíssa Gomes, aluna do 3° ano de uma escola pública do Distrito Federal.

A presidente da UNE defende que os estudantes e a comunidade acadêmica sejam ouvidos durante o processo de criação desse novo modelo.


A nova proposta será entregue oficialmente na próxima segunda-feira (30) à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para que seja discutida nas universidades. O ministro da Educação, Fernando Haddad, espera que o novo vestibular possa ser aplicado ainda este ano.


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