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30/11/2009 09:29h

MEC divulga Censo da Educação Superior

Ensino superior tem quase 1,5 milhão de vagas ociosas, 98% está nas particulares

O crescimento do número de matrículas no ensino superior entre 2007 e 2008 não acompanhou a expansão das vagas. Em todo o País, foram registradas 1.479.318 vagas não preenchidas de acordo com informações do Censo da Educação Superior, divulgado último dia 27 de novembro pelo Ministério da Educação (MEC).

De acordo com a secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Bucci, o fenômeno ocorre porque, durante o processo de autorização de um curso, as instituições pedem mais vagas do que de fato desejam oferecer. "O processo de autorização era muito lento. A tendência é que a instituição não precise mais fazer esse 'estoque' de vagas."

As instituições privadas respondem por 98% dessas vagas. Entre 2007 e 2008, o aumento de vagas ociosas foi de 10%. Apesar de alto, ainda é menor do que o registrado no período anterior, de 13%. O relatório aponta que é preciso analisar as razões para um número tão grande de vagas desocupadas, pois "a oferta deve refletir a capacidade instalada do setor para atender à demanda por cursos de graduação".

A secretária acredita que é preciso ampliar as fontes de financiamento para que a população de baixa renda que ainda está fora do ensino superior possa ter acesso a essas vagas ociosas. "O Fies [Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior] está sendo reformulado para que tenha um melhor aproveitamento, hoje ele é usado em grau muito menor do que poderia."

Outro dado apresentado pelo censo é o índice de conclusão de curso. Pouco mais da metade dos estudantes (57,3%) conseguiu se formar. A taxa de conclusão foi calculada pela razão entre o número de concluintes de 2008 e os ingressantes de 2005.

As menores taxas de conclusão registradas em 2008 são de instituições privadas: 55,3%. Entre as públicas o índice é de 65%, chegando a 67% na rede federal.

Na foto de Elza Fiúza/ABr, a secretária de Educação Superior do Ministério da Educação, Maria Paula Dallari Bucci, divulga o Censo da Educação Superior de 2008

Matrículas em cursos de educação a distância quase dobram em um ano

As matrículas em cursos superiores de educação a distância cresceram 96,9% de 2007 a 2008. Ao todo, são 727.961 universitários que optaram pelo ensino superior não presencial.

No ano passado, 115 instituições ofereceram cursos dessa modalidade - 18 a mais do que em 2007. As informações são do Censo da Educação Superior de 2008, divulgado hoje (27) pelo Ministério da Educação.

As matrículas da educação a distância já correspondem a 14% da oferta de ensino superior no país. O número também registrou aumento (58,6%), bem como as vagas ofertadas nessa modalidade (10,3%).
Para o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, a expansão não está ocorrendo em detrimento da qualidade. "Nós controlamos isso nas avaliações e não há diferença nos resultados dos alunos de cursos a distância e presenciais no Enade [Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes]."

A educação a distância registrou um aumento expressivo nos últimos anos. De 2003 para 2005, o número de vagas oferecidas cresceu 70 vezes. A cada ano, a quantidade de alunos que ingressam em cursos desse tipo cresce sempre mais do que 40%, tendo aumento 407% de 2004 para 2005.

Reynaldo destaca que o perfil do estudante do ensino a distância é diferente do presencial: geralmente são pessoas mais velhas que estavam há muitos anos afastadas das salas de aula. Ele acredita que as novas tecnologias contribuíram para a expansão da modalidade nos últimos anos.

Assim como na educação presencial, o setor privado responde pela maior parte dos alunos. Em 2008, mais de 60% dos alunos estudam em cursos particulares - 448.973 entre os 727.961 totais.


Quase 75% dos universitários brasileiros estudam em instituições privadas

Em 2008, havia 5.080.056 alunos matriculados em cursos superiores no Brasil, 4,1% a mais do que em 2007. O setor privado ainda responde pela maior parte das matrículas: 74,9% dos alunos estão em cursos particulares, enquanto 25,1% estudam em instituições públicas.

Para a secretária de Ensino Superior do MEC, Mari Paula Bucci, há um processo de expansão generalizado, tanto no setor público quanto no privado. Ela acredita que os programas do governo federal para aumento do número de vagas em universidades públicas só terão efeito nos próximos anos.

"O grande crescimento do Reuni [Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais] deve ocorrer em 2009. O importante é que o ensino público também está se expandindo e se interiorizando", disse.

No ano passado, 1.936.078 alunos ingressaram no ensino superior, 8,5% a mais do que o registrado em 2007. No ensino presencial, entretanto, houve uma redução no crescimento do número de novos estudantes. Cerca de 1,5 milhão de alunos se matricularam em instituições de ensino superior, um aumento de 1,6% em relação aos dados de 2007. Mas, em anos anteriores, esse aumento chegou a 7,2%.

As informações são do Censo da Educação Superior de 2008, divulgado hoje (27) pelo Ministério da Educação (MEC). De 2007 para 2008, foram criados 1,2 mil cursos, um aumento de 5,2%.

As instituições privadas também respondem pela maioria dos cursos: 17 mil, de um total de 24 mil. No entanto, o material divulgado pelo MEC destaca que o maior crescimento relativo foi nas instituições federais, que apresentaram um aumento de 6,8% no número de cursos na passagem de 2007 para 2008.

Das 2.252 instituições de ensino superior em funcionamento no país no ano passado, 90% eram particulares e 10% públicas, incluindo universidades federais, municipais e estaduais.

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